quarta-feira, outubro 21, 2020
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Estudo avalia o crescimento do uso de Cannabis na Itália

Um novo estudo tem mostrado como os produtos de canabidiol (CBD) disponíveis no mercado estão moldando o consumo de medicamentos mais comuns prescritos na Itália.

Segundo o estudo, a disponibilidade local de flores de cannabis, conhecida como cannabis leve, levou a uma redução de 11,5% no consumo de ansiolíticos, queda de 10% nos sedativos e 4,8% nos antipsicóticos. Além disso, foi constatado uma redução no consumo de antiepiléticos, antidepressivos, opioides e anti-enxaqueca.

Para conduzir o estudo, os pesquisadores italianos usaram um conjunto de dados, registrando as vendas mensais de medicamentos e mapeando a disponibilidade no mercado local de varejista que vende flores de CBD.

A pesquisa se baseou nos dados de 106 províncias, de janeiro de 2016 a fevereiro de 2018. Os dados sobre produtos CBD foram pesquisados na Web, em sites mapeados online, e os dados sobre as vendas de medicamento controlados foram obtidos pela Associação Italiana de Proprietários de Farmácias (FEDERFARMA) e pelo Sistema Nacional de Saúde Italiano.

Desde que o mercado de CBD surgiu na Itália, em 2017, o número de vendas de medicamentos dispensados diminuiu em aproximadamente 1,6%. Os pesquisadores consideraram sete categorias de medicamentos, incluindo opioides, ansiolíticos, sedativos, anti-enxaqueca, antiepiléticos, antipsicóticos e antidepressivos.

O estudo relaciona a redução do consumo desses medicamentos com efeitos clínicos reconhecidos do CBD. A acessibilidade encorajaram alguns pacientes a experimentar o canabidiol, ao invés de consumir medicamentos prescritos.

A lei italiana de cannabis, estabelecida em 2017, permite que os agricultores cultivem plantas de cannabis com nível de THC abaixo de 0,5%. Contudo, a lei da cannabis não regulariza a venda de flores da planta. Por um lado, a venda de flores de cannabis não e permitida, mas por outro lado, não é proibida.

Essa falta de regulamentação criou uma brecha legal que permite as empresas italianas de CBD e os revendedores a venderem flores de cannabis com níveis de THC abaixo de 0,5%. Essa brecha legal criou um novo mercado que tem gerado emprego a mais de 10 mil pessoas e que possibilitou a abertura de cerca de 1.500 empresas, com faturamento de 150 milhões de dólares em 2018.

De acordo com o estudo, os italianos podem ter encontrado na cannabis leve um tratamento mais eficaz do que nos tratamentos tradicionais.

No entanto, a pesquisa destaca alguns pontos críticos a serem considerados, como por exemplo, a automedicação com produtos CBD pode ser um alarme para os legisladores, pois as pessoas podem não seguir as recomendações de especialistas.

Adicionalmente, a atual lei de cannabis precisa esclarecer sobre a venda de flores de CBD. Com a falta de regularização, o mercado italiano de cannabis coloca os revendedores e as empresas em perigo.
Além disso, a substituição de medicamentos controlados por produtos CBD destaca a falta de acesso à cannabis medicinal. A disponibilidade em larga escala das flores de canabidiol também pode levar a padrões de substituições que não são clinicamente indicadas, de acordo com o estudo.
O uso de flores de CBD para propósitos medicinais podem não ser tão benéfico para a saúde dos pacientes, pois o controle de qualidade é diferente da cannabis medicinal. Além disso, as pessoas ainda tendem a confundir o uso do canabidiol com a cannabis medicinal. Os pacientes podem encontrar alívio com as flores de CBD, que são menos caras e não precisam de receita médica.

Fonte: Cannalize

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