quarta-feira, outubro 21, 2020
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Cinco usos do CBD que gozam de certo apoio pela ciência

Com certeza não vai curar todas as doenças, mas pode ajudar todos a dormir um pouco melhor! O canabidiol, também conhecido por seu nome abreviado mais popular, CBD, está sendo vendido, ou pelo menos oferecido, como um remédio universal,  bom para todos os males que nos afligem… pelo menos, de acordo com a internet. Mas antes de mergulhar de cabeça em uma piscina de CBD como se ela fosse a fonte da juventude, é importante fazer um pouco de pesquisa sobre o que é real e o que deve ser considerado como fake news.


Dra. June ou Junella Chin, D.O.

  • Médica Osteopática (D.O.) – Touro University, San Francisco, Califórnia.
  • Nutrição & Bioquímica – Cornell University.
  • Centro de Pesquisa em Medicina Complementária e Alternativa para Mulheres – Columbia University.
  • Acupuntura medicinal, HBS Executive Education – Harvard University
  • Co-fundadora & Diretora Médica – Medical Cannabis Mentor.
  • ​Consultora médica – CannabisMD.com

Por mais de uma década, a Dra. Chin viveu e praticou medicina na Califórnia, um Estado onde a cannabis medicinal é legalizada desde 1996. Sua clínica osteopática integradora era focada em crianças com epilepsia intratável, câncer e autismo. Ela viu em primeira mão o quanto a maconha medicinal pode beneficiar os pacientes. Nativa do Bronx, voltou para Nova York há vários anos e está registrada junto ao New York State Medical Cannabis Program. Atualmente, está tratando crianças e adultos em Nova York.

A Dra. Chin é uma verdadeira sobrevivente de dores crônicas. Os médicos sugeriram analgésicos opiáceos, esteróides, epidurais, etc. Como resultado de sua experiência, decidiu dedicar sua carreira médica para encontrar abordagens eficazes, integrativas e holísticas para atendimento ao paciente.

É uma palestrante frequente sobre ciência e medicina da cannabis em hospitais, conferências e eventos em todo o mundo.

Há fortes críticas a respeito da falta de dados sobre cannabis, CBD e outros canabinoides“, diz a Dra. Junella Chin, D.O., uma conhecida especialista de New York, NY, em medicina neuromusculoesqueletal. “Olhando apenas para a Califórnia, temos mais de 20 anos de evidências anedóticas que apóiam a eficácia da cannabis medicinal. São dados que estamos juntando desde 1985”.

No entanto, como observa a Dra. Chin, os pesquisadores precisam começar a repensar exatamente como estudam a cannabis, agora que o CBD se tornou tão proeminente na consciência americana de saúde e bem-estar. A pergunta que os pesquisadores devem fazer é: “Como podemos explorar essas fontes de dados individuais mais profundamente? A planta de cannabis é única. Não existe precedente nenhum com outra droga no mundo que estamos usando recreativamente e medicinalmente para usos terapêuticos”, diz ela. “O registro histórico de uso seguro é incomparável“.

Embora a Dra. Chin diga que ainda temos um longo caminho a percorrer para entender como o CBD interage com o corpo humano, também diz que existem vários usos de CBD que já foram razoavelmente bem pesquisados e nos quais as pessoas podem ter certa confiança. Mas o que ela alerta é que a maioria exige que as pessoas tomem grandes quantidades de CBD (entre 600 e 1.200 miligramas por dia), o que torna o CBD uma proposta bastante cara. Ainda assim, se você quiser tentar, aqui estão cinco usos para o CBD que têm pesquisas suficientes para suportar as alegações de saúde.

1. CBD pode ajudar a acalmar os nervos

De acordo com um estudo de caso de 2019, com 103 adultos, o CBD parece ter algum benefício quando se trata de acalmar uma ansiedade autorreferida pelos pacientes. Como observaram os autores do estudo, as taxas de ansiedade de 79% dos participantes do estudo diminuíram no primeiro mês de observação e continuaram diminuídos durante os três meses de duração do estudo. Para o estudo, os participantes ingeriram de 25 miligramas a 175 miligramas por dia.

O CBD reduz a ansiedade ao mediar o neurotransmissor GABA (ácido gama-aminobutírico)”, explica a Dra. Chin. “O GABA, um produto químico cerebral natural, direciona os neurônios a desacelerar ou parar de disparar. Acalma o sistema nervoso, induz ao sono, relaxa os músculos e reduz a ansiedade, em essência, direcionando o corpo a se desligar”.


Dr. Jordan Tishler, M.D.

  • Harvard College e Harvard Medical School.
  • Medicina Interna no prestigiado Brigham and Women´s Hospital.
  • Diretor Regional da Society of Cannabis Clinicians.
  • Presidente da Association of Cannabis Specialists, in Cambridge, MA.
  • Tesoureiro e membro do Conselho de Administração da Doctors for Cannabis Regulation (DFCR).

O Dr. Tishler é um dos principais especialistas no campo da terapêutica médica com cannabis. Como médico no setor de Emergências, tratou inúmeros alcoólatras e usuários de drogas. Sua observação pessoal de nunca ter visto uma overdose de cannabis, o levou a mergulhar profundamente no campo da segurança e tratamento com cannabis. Após anos de pesquisa e aprendizado, o Dr. Tishler levou todos os seus conhecimentos para os pacientes da Inhale Medical Consulting. O Dr. Tishler passou muitos anos trabalhando com os carentes, principalmente os veteranos de guerra.

O Dr. Tishler também atua de forma paralela, no espaço corporativo, trabalhando para o bem-estar dos pacientes, ajudando a elevar os perfis de dosagem e segurança dos medicamentos e a estabelecer as melhores práticas para trazer novos produtos de cannabis ao mercado. O Dr. Tishler é um palestrante frequente e autor de vários tópicos relacionados às aplicações médicas da cannabis.

2. O CBD pode ajudar a promover uma melhor noite de sono

Embora o CBD não deixe as pessoas “altas”, como o THC, é geralmente considerado como não psicoativo. No entanto, isso não é tecnicamente correto, declara Jordan Tishler, MD, presidente da Association of Cannabis Specialists (cannabis-specialists.org), instrutor de medicina na Harvard Medical School e consultor médico da cannabis MD, “o CBD parece exercer algum efeito no humor, pelo menos em algumas pesquisas, portanto, tecnicamente, é psicoativo. E, parte desse efeito sobre o humor é uma leve sonolência, o que pode ser uma boa notícia para quem sofre de distúrbios do sono ou inquietação”.

O CBD é um inibidor da captação de GABA, o que significa que cria um excesso de GABA no cérebro“, acrescenta o Dr. Chin. “A suplementação correta de CBD pode ajudar a libertar os pacientes dos pensamentos acelerados e/ou descontrolados que os fazem ficar acordados na cama à noite“.

Um estudo de 2018, publicado na revista Medicines (revista internacional de acesso aberto, sobre medicamentos convencionais, complementares e integrados, publicada trimestralmente online pelo MDPI), envolvendo 490 pessoas com insônia, descobriu que uma combinação de CBD e THC (o primo psicoativo do CBD!) ajudou a melhorar significativamente os seus sintomas. No início, os participantes classificaram os seus sintomas de insônia em uma escala de 1 a 10, sendo 10 os mais graves. Os participantes classificaram seus sintomas em 6,6 em média. Depois de usar cannabis, os participantes classificaram os sintomas, em média, em 2,2, o que representa uma diminuição de 4,5 na escala.

3. CBD trabalha para combater a inflamação

O CBD tem o potencial de fazer maravilhas em programas de exercícios, pois parece ajudar a reduzir a inflamação no corpo, ajudando o mesmo a se recuperar de forma mais rápida. Em 2018, os pesquisadores publicaram suas descobertas na Frontiers in Neurology (um dos principais periódicos de neurologia do mundo em termos de influência e qualidade), concluindo que o CBD pode reduzir a inflamação no corpo e ajudar a melhorar a dor e a mobilidade em pacientes com esclerose múltipla. Na conclusão do estudo, os autores compartilharam: “CBD é anti-inflamatório, antioxidante, antiemético, antipsicótico e neuroprotetor“.

Além disso, a Dra. Chin salienta que a The National Academy of Sciences Engineering and Medicine estudou mais de 24.000 artigos de revistas médicas e 10.000 resumos de pesquisas sobre canabinoides. A equipe concluiu que, de fato, existem fortes evidências em ensaios clínicos randomizados para apoiar a conclusão de que os canabinoides são eficazes no tratamento da dor crônica subjacente, mais frequentemente relacionada à dor nos nervos.

Os canabinoides parecem modular e interagir em muitas vias inerentes à dor aguda e crônica por vias de opiáceos, sugerindo potenciais benefícios sinérgicos ou semelhantes”, diz ela. “Os canabinoides também desempenham papel em muitos processos fisiológicos regulatórios, incluindo inflamação“.


Dr. Henry Granger Piffard, MD (1842-1910)


Henry Granger Piffard (1842-1910) foi autor do primeiro tratado sistemático sobre dermatologia na América. É reconhecido como um dos fundadores da dermatologia nos Estados Unidos, tendo fundado o Journal of Cutaneous and Venereal Diseases, que mais tarde se tornou o JAMA Dermatology. Inventou a cureta dérmica, foi o primeiro a usar raios-X para tratar doenças de pele e foi pioneiro na fotografia com flash na medicina.

É autor de diversos livros: “A Guide to Urinary Analysis” (1873), “An Elementary Treatise on Diseases of the Skin” (1871), “Practical Treatise on Diseases of the Skin” (1891) e traduziu o livro de Alfred Hardy, “The dartrous diathesis“.

4. O uso tópico de CBD (cremes)  pode ajudar a melhorar condições de pele localizadas

Falando de todas essas propriedades anti-inflamatórias, parece que o CBD também pode ajudar a aliviar condições dolorosas da pele, como o eczema, por exemplo. Henry Granger Piffard, MD, considerado como um dos fundadores da dermatologia nos Estados Unidos, autor do primeiro tratado sistemático sobre dermatologia, nos Estados Unidos, e editor fundador do Journal of Cutaneous and Venereal Diseases, escreveu em seu primeiro livro, na virada do século 20: “Uma pílula de Cannabis indica, na hora de dormir, às vezes, traz para minhas mãos um grande alívio ao prurido/coceira intolerável do eczema”.

A National Eczema Association também aponta para um estudo em pacientes com dermatite atópica. No ensaio, os participantes usaram um creme endocanabinóide que pareceu melhorar a gravidade da coceira e a perda de sono em uma média de 60% entre os indivíduos da pesquisa. Acrescenta que, até o final do estudo, 20% dos indivíduos conseguiram parar de usar seus imunomoduladores tópicos, 38% deixaram de usar anti-histamínicos orais e 33,6% não sentiram mais a necessidade de manter seu tratamento de uso tópico de esteróides até o final do estudo.

5. O CBD pode ajudar a mitigar os sintomas de distúrbios epilépticos graves

Como já foi mencionado anteriormente, o CBD tem muitos usos pretendidos, alimentados por evidências principalmente anedóticas. No entanto, algumas de suas propriedades mais promissoras estão relacionadas com pacientes que sofrem de problemas de epilepsia, especificamente em crianças com a síndrome de Dravet. De fato, o único CBD aprovado pela FDA é o Epidiolex, uma solução oral para o tratamento de convulsões associadas à síndrome de Lennox-Gastaut e à síndrome de Dravet.

Uma palavra final: cuidado!

Apesar desses benefícios aparentemente comprovados, os pensamentos do Dr. Tishler sobre o CBD permanecem cautelosos e incentivam os consumidores a ter cautela também. Simplesmente, não existem estudos suficientes para saber tudo sobre todos os seus benefícios e efeitos colaterais para dizer com certeza que é uma substância milagrosa para o consumo geral. “Acho que o CBD é útil para crianças com síndromes de Dravet e de Lenox-Gastault, mas, além disso, não acho que seja útil no momento“, diz o Dr. Tishler. “Não existem dados suficientes para o consumo humano, mas existem muitas preocupações de segurança sobre o processo de fabricação, as interações medicamentosas e a quantidade necessária para ser benéfica (com base nos dados disponíveis) é muito cara“.

À medida que tivermos mais estudos em humanos, melhor regulamentação dos processos de fabricação e alternativas de fontes de maior volume/menor custo, o CBD pode muito bem ser útil”, conclui ele. “Atualmente, nem tanto”.

De qualquer forma, se você decider experimentar por conta própria, verifique primeiro se está comprando de um fornecedor seguro, porque comprar gato por lebre, com certeza, não irá amenizar as suas dores!

2 COMMENTS

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