quarta-feira, outubro 21, 2020
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A cannabis através dos tempos Parte I

É uma das primeiras plantas cultivadas por seres humanos, seja por suas fibras sólidas, suas sementes nutritivas ou suas propriedades medicinais.

A sua origem geográfica não está perfeitamente comprovada; alguns citam os arredores do lago Baikal, nas planícies da Ásia Central, outros nos contrafortes do Himalaia ou nas beiras  do rio Amarelo, também conhecido como Huang He ou Huang Ho, o segundo mais longo rio da China e o sexto maior rio do mundo.

A cannabis é uma das plantas mais antigas e versáteis do mundo. Tem sido uma fonte importante de fibras, alimentos e medicamentos ao longo da história. Alguns tipos podem ser processados em uma ampla gama de matérias-primas, como celulose, papel, combustível, resina e cera. Na indústria da construção pode ser usada como componente principal em tijolos, painéis de partículas, isolamento, etc. Os materiais de construção utilizando essa matéria-prima revertem os efeitos nocivos dos gases de efeito estufa, bloqueando as emissões nocivas de CO2. Em essência, esses materiais respiram. Eles também são mais fortes e mais leves do que aqueles usados ​​na construção tradicional.

A cannabis, do início dos tempos até o fim do século 19

10.000 a.C.

A cannabis é uma das primeiras e mais antigas culturas agrícolas conhecidas.

Richard Hamilton, em um artigo de 2009 da revista Scientific American sobre agricultura sustentável, diz: “Os humanos modernos surgiram há cerca de 250.000 anos atrás, mas a agricultura é uma invenção relativamente recente, com apenas 10.000 anos… a agricultura não é natural: é uma invenção humana. É também a base da civilização moderna”.

Este ponto também foi abordado por Carl Edward Sagan (1934-1996), em 1977, quando propôs a possibilidade de que a maconha pudesse realmente ser a primeira colheita agrícola do mundo, levando ao desenvolvimento da própria civilização.

6000 a.C.

Sementes e óleo de cannabis são usados como alimentos, na China.

4000 a.C. 

Peças têxteis feitas de fibra de cannabis são usadas na China e no Turquestão.

2900 a.C. 

O imperador chinês Fu Hsi ou Fu Xi, a quem os chineses creditam ter trazido a civilização para a China, parece ter feito referência a Ma, palavra chinesa para cannabis, observando que a cannabis era um remédio muito popular, que possuía yin e yang. (Robert Deitch, “Hemp: American History Revisited: The Plant with a Divided History”, Algora Publishing, 2003).

2700 a.C.

Segundo a lenda chinesa, o imperador Shen-nung, ainda conhecido como Shennong ou Shen Nong, e considerado o “pai da medicina chinesa”, descobriu as propriedades curativas da maconha e as de dois outros pilares da medicina herbal chinesa, o ginseng e a ephedra. (Janet Joy, Alison Mack, “Marijuana as Medicine: The Science Beyond the Controversy”, National Academies Press, 2000).

Na medicina moderna, a efedrina já foi usada como descongestionante nasal, broncodilatador e vasopressor, porém o uso terapêutico desses alcalóides tornou-se restrito por haver dúvidas quanto ao seu perfil de segurança.

2727 ou 2737 a.C.

A cannabis é citada pela primeira vez como uma erva “superior”, no primeiro texto médico mundial, Shen Nung’s Pen Ts’ao, na China.

1500 a.C.

Uso da maconha para fins de cura é anterior a história registrada. A referência escrita mais antiga é encontrada na Farmacopéia Chinesa do século XV a.C., o Rh-Ya.

Papiro Ebers(1), um dos tratados médicos mais antigos e importantes que se conhece, escrito no Antigo Egito e datado de aproximadamente 1.500 a.C., menciona o óleo de sementes da cannabis no tratamento de inflamações vaginais.

(1)Foi encontrado entre os restos de uma múmia, em um túmulo próximo à Tebas. Foram encontrados dois papiros, ambos foram para as mãos do colecionador estadunidense Edwin Smith, em 1862; mais tarde, no inverno de 1872, um deles foi comprado pelo egiptólogo alemão Georg Ebers, que acabou tendo o seu nome.

Os Citas cultivam a cannabis e usam suas fibras para tecer roupas finas. (Sumach 1975).

A cannabis é amplamente cultivada na China, tanto para uso alimentício quanto têxtil.

1450 a.C. 

Os defensores da maconha sugerem que a receita do óleo da unção, passada de Deus para Moisés, incluía cannabis, ou kaneh-bosm, em hebráico. Como descrito na versão original da receita, em hebráico, em Êxodo (30: 22-23), continha mais de 15 quilos de kaneh bosm, uma substância identificada por respeitados etimologistas, linguistas, antropólogos, botânicos e outros pesquisadores como cannabis, extraída em cerca de seis litros de azeite, juntamente com uma variedade de outras ervas aromáticas. Os antigos ungidos estavam literalmente encharcados nessa potente mistura. (Chris Bennett “Was Jesus a Stoner?”, High Times Magazine, Feb. 10, 2003). (Shannon Kari “Cannabis Involved in Christ’s Anointment?”, National Post, Apr. 22, 2010). (National Institute on Drug Abuse (NIDA), Marijuana Research Findings: 1976, 1977).

1400 a.C.

Uso cultural e religioso do ganja ou cannabis e charas ou haxiche ao longo do rio Gange, na Índia.

Black Ganga?

É uma gíria que se refere a resina de maconha. No caso específico, é o resíduo pegajoso preto que adere a um cachimbo ou a um bong de vidro após o uso repetido. É composto dealcatrão, cinzas, carbono e canabinóides. Os usuários costumam raspar o ganga preto de um cachimbo ou cachimbo para fumar. No entanto, apesar de muitas pessoas argumentarem que a resina é prejudicial ao usuário, devido ao alcatrão e a cinza, consumi-la continua sendo uma prática comum, especialmente como último recurso.

1213 a.C.

Kief (do Árabe: كيف kayf), feito a partir de tricomas (incorretamente referido muitas vezes como “pólen”), retirado das folhas e flores da cannabis, é encontrado na tumba de Ramses II, o Grande (1279 a.C. – 1213 a.C.). No Egito Antigo se prescrevia cannabis para tratamento ocular (glaucoma), inflamações e edemas localizados. (Lise Manniche, MA / PhD, “An Ancient Egyptian Herbal”,  University of Texas Press, 1989).

1000 a.C.

Bhang é conhecido na Índia como a decocção de folhas secas e inflorescências de plantas com efeitos narcóticos, geralmente misturado com leite. Tem potência equivalente à maconha. É mencionado no texto sagrado hindu Atarvaveda (também grafado Atharvaveda ou Atharva Veda; em sânscrito: अथर्ववेद,, como “Grama Sagrada”, uma das cinco plantas sagradas da Índia. É usado medicinalmente como anestésico e anti-fleumático, bem como para tratar uma grande variedade de doenças humanas e, ritualmente, como uma oferenda à Shiva. (US National Commission on Marihuana and Drug Abuse  “Marihuana, A Signal of Misunderstanding”, druglibrary.org, 1972).

800 – 400 a.C.

Treze restos de cannabis, bem preservados e quase inteiros, são encontrados em uma mortalha, em uma tumba em Turpan, Noroeste da China, datada de cerca de 500 a.C.

700 a.C.

O Vendidad, um dos volumes do Zend-Avesta, o antigo texto religioso persa, escrito por volta do século VII a.C, supostamente por Zoroastro (ou Zarathustra), o fundador do zoroastrismo, e fortemente influenciado pelos Vedas, menciona bhang – a qual se refere como o bom narcótico – e lista a cannabis como a mais importante de 10.000 plantas medicinais”. (Martin Booth, “Cannabis: A History”, 2005).

A origem da palavra Vendidad  encontra-se em
Vi-daevo-dato, “lei contra os demônios”.

Uma sepultura que data de cerca de 700 a.C., nos túmulos de Yanghai, perto de Turpan, na China, contém cannabis psicoativa (não cânhamo, como fonte de fibra!).

700 – 300 a.C.

As tribos Citas deixam sementes de cannabis como oferenda em tumbas reais.

600 a.C.

Um tratado de medicina indiana cita a cannabis como cura para a hanseníase (lepra). A cannabis foi usada na Índia, muito cedo, em aplicações médicas. As pessoas acreditavam que ela poderia acelerar a mente, prolongar a vida, melhorar o juízo, diminuir a febre, induzir o sono e curar a disenteria… O primeiro grande trabalho a destacar os usos da cannabis na medicina indiana foi o tratado ayurvédico Sushruta Samhita, escrito em 600 a.C. Esse tratado, compilado em sânscrito védico, foi escrito por Sushruta, cirurgião e professor de Ayurvedas, considerado o Pai da Cirurgia. No Sushrita Samhita, a maconha é citada como anti-flegmática e curadora da hanseníase. (Cannabis, by Jonathon Green, Running Press, 2002).

Cordas de cânhamo aparecem no Sul da Rússia.

c. 500 a.C.

Nove em cada dez braseiros funerários desse período encontrados por arqueólogos no Noroeste da China, contém resíduos de cannabis. Esta é uma das primeiras evidências diretas da queima de cannabis.

500 a.C.

Um casal de Citas morre e é enterrado com duas pequenas tendas cobrindo incensários. Ao lado de um deles havia uma bolsa de couro, decorada, contendo sementes selvagens de cannabis. Isso lembra as histórias contadas por Heródoto. O túmulo, descoberto no final da década de 1940, ficava em Pazryk, a Noroeste das montanhas Tien Shan, no atual Cazaquistão.

O cânhamo é introduzido no Norte da Europa pelos Citas. Uma urna contendo folhas e sementes da planta cannabis é desenterrada perto de Berlim, datada dessa época.

Gautama Buddha, Siddhartha Gautama ou, simplesmente Buddha (c.563/480 a.C. – c. 483/400 a.C.), diz ter sobrevivido comendo sementes de cânhamo.

Evidências da cannabis ter sido usada na Áustria, o tempo da cultura de Hallstatt; a comunidade de Hallstatt explorava as minas de sal na região, as quais tinham estado em operação intermitente desde o Neolítico (século VIII a.C.) até o século V d.C.

Primeiros desenhos botânicos de cannabis, em Constantinopolitanus.

450 a.C.

Heródoto (485-425) menciona os Citas e os Trácios como consumindo cannabis e produzindo finas roupas de cânhamo.

300 a.C.

Os cartagineses e os romanos lutam pelo monopólio da rota das especiarias e do cânhamo no Mediterrâneo.

200 a.C.

A cannabis medicinal é usada na Grécia Antiga como remédio para dor de ouvido, edema e inflamação. (The Official Report of the US National Commission on Marihuana and Drug Abuse,  “Marihuana, A Signal of Misunderstanding”, The New American Library Inc.,1972).

100 a.C

Primeira evidência de papel feito de cânhamo na China; nesses primeiros papéis, os chineses misturavam fibras de cânhamo e Broussonetia papyrifera(1), uma espécie de amoreira.

(1) A amoreira papel (Broussonetia papyrifera) é uma espécie de planta relacionada a um gênero da mesma família das Moraceae. É originária do Sudeste asiático e usada para fazer papel tradicional na China, Coréia, Japão, Taiwan e outros países. Na Europa, esse papel é geralmente chamado de “papel de arroz” ou “papel de seda”, devido a semelhança da árvore com a amoreira branca. Hoje, é usado apenas para artes tradicionais: caligrafia, pintura tradicional ou jiǎnzhǐ, origamis e kirigamis e papel decorativo usado em religiões e superstições locais.

1 AD (essa denominação tem estado em uso desde meados do período medieval, quando a era civil Anno Domini (AD) tornou-se o método predominante na Europa para nomear anos. O ano anterior é 1 a.C.; não há ano 0 neste esquema de numeração. O sistema de datação Anno Domini foi desenvolvido no ano 525, por Dionysius Exiguus).

Em um compêndio de receitas de remédios, compiladas em 1 AD, por Pen Ts’ao Ching, baseado em tradições datando dos tempos de Shen Nung, a marijuana é representada por um símbolo pictural (ideograma) de plantas secando embaixo de um teto (ou galpão). As propriedades psicotrópicas da cannabis já são mencionadas nesse compêndio. Esse texto antigo recomenda a cannabis para mais de 100 doenças ou problemas de saúde, incluindo gota, reumatismo, malária e distração/alheamento. (Janet Joy, PhD,  Alison Mack, “Marijuana as Medicine: Beyond the Controversy”, 2001).

30

Jesus ensina: “Não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca, isto, sim, contamina o homem” (Mateus 15: 11), ou ainda: “Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai do homem é o que o contamina” (Marcos 7:15.). Explicação: “Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos não o contamina” (Mateus 15:18-20).

70

Pedânio Dioscórides (40-90) foi um autor greco-romano considerado o fundador da farmacognosia através da sua obra “De materia medica”, a principal fonte de informação sobre drogas medicinais desde o século I até ao século XVIII. Escrito em cinco livros, por volta do ano 77, este trabalho trata de aproximadamente 1.000 medicamentos simples. Tem excelentes descrições de quase 600 plantas, incluindo cannabis, colchicum, cicuta aquática e hortelã-pimenta.

79

Em 79 d.C., o naturalista romano Caio Plínio Segundo (23-79), conhecido também como Plínio, o Velho, escreve em “Naturalis Historia” que a raiz da cannabis era fervida em água para cãibras, gota e alívio de dores agudas.

100

Cordas de cânhamo aparecem na Escócia.

130 – 200

Cláudio Galeno, em latim Claudius Galenus (130-210), mais conhecido como Galeno de Pérgamo, foi um proeminente médico e filósofo romano de origem grega e, provavelmente, o mais talentoso médico investigativo do período romano, já fazia prescrições de marijuana medicinal.

200

As primeiras farmacopéias ocidentais começam a mencionar a marijuana medicinal.

O cirurgião chinês Hua Tuo (c.110-207) utiliza a marijuana como anestésico. São atribuídas a Hua Tuo a descoberta da anestesia (ma jue fa) e a arte das cirurgias abdominais (kai fu shu). É considerado o primeiro a realizar uma cirurgia com anestesia, 1.600 anos antes da prática ser adotada na Europa pela medicina ocidental. Sua fórmula anestésica combinava vinho com um preparado de ervas chamado mafeisan (堳楻艉), literalmente “pó cozido de cannabis”.

A sedação com o cânhamo indiano permite que se realize operações que se tornaram famosas nas crônicas da época, que relatam laparotomias e resecções intestinais.

300

Em Jerusalém, uma jovem grávida recebe marijuana medicinal antes do parto.

400

A cannabis é cultivada pela primeira vez na Inglaterra, em Old Buckenham Mere, no condado de Norfolk.

500

Primeiro desenho botânico de cânhamo em Constantinopolitanus.

500 – 600 

O Talmud, texto central para o judaísmo rabínico, menciona os efeitos eufóricos da cannabis.

600

Os Germanos, Francos e Vikings já utilizam a fibra de cânhamo para cordagens. Foram os Vikings que levaram a corda de cânhamo e as sementes para a Islândia.

770

O primeiro exemplar de impressão é a xilogravura em papel, na qual folhas individuais de papel foram prensadas entre blocos de madeira, com o texto e as ilustrações gravadas neles. Esse processo foi descoberto em 1974, em uma escavação em Xi’an, Shaanxi, na China. É um dharani sutra impresso em papel de cânhamo e datado de 650 a 670 d.C., durante a Dinastia Tang (618-907). Também foi encontrado outro documento impresso, datado da metade da Dinastia Tang, o Saddharmapunṇḍarīka sutra ou Lotus Sutra, impresso de 690 à 699.

800

Mahomet proíbe o uso de álcool, mas libera o uso de cannabis.

900 – 1000

Os estudiosos debatem os prós e os contras do uso do haxixe.

O uso do haxixe se propaga em toda a Arábia.

1000

A palavra inglês “hemp” é listada pela primeira vez em um dicionário.

Os muçulmanos produzem haxixe para uso medicinal e social.

1100

Fumar haxixe é muito popular em todo o Oriente Médio.

A cannabis é introduzida no Egito durante o reinado da Dinastia Ayubida. (M.K. Hussein, 1957 – Soueif, 1972).

1150

Os muçulmanos introduzem o cânhamo na Europa, o qual também servirá para fabricar os primeiros papéis do continente, com o uso de moinho de água. Durante os próximos 750 anos, os papéis serão feitos a partir de fibras de cânhamo, inclusive as bíblias.

Século 13

Ibn al-Baytar (1190 ou 1197-1248), um médico e botânico andaluz, cuja obra mais conhecida é “Kitāb al-Jāmiʻ li-mufradāt al-adwiya wa-l-aghdhiya” (“Tratado completo de medicina e produtos alimentícios simples), fornece uma descrição da cannabis psicoativa.

Comerciantes árabes levam a cannabis para a costa da África, em Moçambique.

1231

O haxixe é introduzido no Iraque na época de Al-Mustansir Bi’llah (1192-1242). Nome completo: Abah Ja’far al-Mustansir bi-llah al-Mansûr ben az-Zâhir (sobrenome, Al-Mustansir), que foi o califa abássida em Bagdá de 1226 à 1242. Ele sucedeu ao califa Az-Zahir.

1378

O emir de Joneima, atual Egito, Soudoun Scheikhouni, tenta combater o consumo excessivo de cânhamo indiano nas classes mais pobres, destruindo todas as plantações de cânhamo e encarcerando todos os hemp-eaters (comedores de cannabis). Decreta, ainda, que todos aqueles que fossem condenados por terem comido essa planta teriam os seus dentes arrancados. Mas observou-se, em 1393, que o uso da substância nos territórios árabes havia aumentado! Foi uma das primeiras, senão a primeira proibição da cannabis que ocorreu no mundo.

1450

Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg, ou simplesmente Johannes Gutenberg (1400 – 1468), imprime a primeira bíblia sobre papel feito de cânhamo.

1484

O papa Inocêncio VIII (1432-1492), emite uma bula papal, chamada “Summis desiderantes”, que exigia punições severas por magia e bruxaria, o que na época geralmente significava o uso de ervas medicinais e alucinógenas. A bula papal condenou especificamente o uso de cannabis no culto, ao invés de vinho. Ele rotulou a maconha como um sacramento profano da massa satânica e emitiu uma proibição papal contra a maconha nos medicamentos.

1492

Oitenta toneladas de velas e cordas de cânhamo ajudaram as caravelas do genovês Cristóvão Colombo (1451- 506) a chegar ao Novo Mundo.

1494

Começa na Inglaterra a indústria do papel feito a partir de fibras de cânhamo.

1526

Zāhir ud-Dīn Mohammad, conhecido como Babur (1483-1530), também conhecido como Zahiruddin, Zahiriddin, Muhammad, Bobur, Baber, Babar, etc., foi um imperador muçulmano da Ásia Central que fundou o Império Mogol, que se localizava onde atualmente são os países Índia, Paquistão e Bangladesh. Ele era um descendente direto de Tamerlão e acreditava ser também um descendente de Gengis Khan pelo lado materno. Conheceu o haxixe no Afeganistão.

1532

François Rabelais (1494-1553) foi um escritor, padre e médico francês do Renascimento. Na sua obra “Gargantua & Pantagruel” faz, muitas vezes, referência aos efeitos medicinais da marijuana, a qual batizou, em sua obra, de erva pantagruelion.

1533

O rei Henrique VIII (1491-1547), fundador da Igreja Anglicana, multa os agricultores se eles não cultivassem cânhamo para uso industrial.

1545

Inicia-se no Chile a agricultura do cânhamo; até hoje, o Chile tem a maior plantação de cannabis da América Latina.

1549

Os escravos angolanos trouxeram com eles a cannabis para as plantações de açúcar do Nordeste do Brasil. Eles tiveram permissão para plantar sua cannabis entre fileiras de cana e fumar entre as colheitas.

1550

O poema épico “Beng ü Bade” (بنگ و باده; “Hashish and Wine”), do poeta Muhammad bin Suleyman Fuzuli (1494-1556), trata alegoricamente de uma batalha dialética entre vinho e haxixe.

1554

Os espanhóis plantam cannabis no Peru.

1563

A rainha inglesa Elizabeth I (1533-1603) decreta que os proprietários de terras com mais de 60 acres devem cultivar cânhamo ou serão multados em 5 libras.

1563

Garcia de Orta (1501-1568), um médico judeu português que viveu na Índia, foi autor pioneiro sobre botânica, farmacologia, medicina tropical e antropologia. A obra que perpetuou o seu nome foi o livro “Colóquio dos simples e drogas e coisas medicinais da Índia”, editado em Goa, em 1563. Os colóquios incluem 58 capítulos onde se estuda um número aproximadamente igual de drogas orientais, principalmente de origem vegetal, como o cannabis, o benjoim, a cânfora, o ópio, o ruibarbo, o tamarindo e muitas outras.

1564

O rei Filipe II (1527-1598), cognominado “O Prudente”, foi rei da Espanha de 1556 até sua morte e também rei de Portugal e Algarves como Filipe I, a partir de 1581. Foi o primeiro líder mundial a estender os seus domínios sobre uma área direta “onde o sol jamais se punha”, superando, portanto, Gengis Cã, até então o homem mais poderoso de todos os tempos. O rei ordenou o cultivo de cânhamo em todo o seu império.

1584 – 1702

O Século de Ouro dos Países Baixos (em neerlandês: Gouden Eeuw), também conhecido como a Idade de Ouro Neerlandesa, foi um período da história dos Países Baixos compreendido entre 1584 e 1702, no qual a modesta República Unida dos Países Baixos transformou-se no país mais rico do mundo, além de ter ganho bastante hegemonia sobre o resto da Europa e sobre o resto do Planeta Terra. Nessa época, floresceram o comércio, a ciência e a cultura neerlandesa, as quais foram as mais aclamadas mundialmente. Essa Idade de Ouro iniciou-se graças ao comércio de cannabis.

1600

A Inglaterra começa a importar cannabis da Rússia.

1606

O ingleses levam a cannabis para o Canadá, principalmente pelas suas aplicações marítimas (cordas e velas).

1606 – 1632

Tanto os franceses quanto os ingleses cultivam a cannabis em suas colônias de Port Royal (1606), Virginia (1611) e Plymouth (1632).

1611 – 1616

Os colonos de Jamestown, capital da colônia da Virginia durante 83 anos, de 1616 até 1699, começam a cultivar a planta de cânhamo por sua fibra excepcionalmente forte e a usam para fazer cordas, velas e roupas.

1619

A colônia de Virgínia declara o cultivo do cânhamo como sendo obrigatório; a mesma determinação é seguida por outras colônias do Novo Mundo. A coroa britânica pagava recompensa para quem produzisse.

1621

Robert Burton (1577-1640), um estudioso inglês na Universidade de Oxford, sugere em seu clássico livro “The Anatomy of Melancholy”, que a marijuana poderia tratar a depressão.

1631

O cânhamo é usado como moeda de troca nas colônias da América.

1637

A Corte Geral, em Hartford Connecticut, ordena que todas as famílias plantem uma colher de chá de sementes de cânhamo. Várias colônias aprovam leis de curso legal; o cânhamo era tão valorizado que era usado para pagar impostos.

1639

A Corte Geral de Massachusetts seguiu os mesmos princípios que Hartford.

1753

Carl Nilsson Linnaeus, em português Carlos Lineu, e em sueco, após nobilitação, Carl von Linné, latinizado Carolus Linnaeus (1707-1778), foi um botânico, zoólogo e médico sueco, criador da nomenclatura binomial e da classificação científica, sendo assim considerado o “pai da taxonomia moderna”. Foi o primeiro a classificar a Cannabis sativa Linnaeus.

1764

O The New England Dispensatory recomenda ferver as raízes de cannabis em água e aplicar diretamente a pasta resultante nas inflamações da pele para aliviar as lesões e facilitar a cicatrização.

1776

A Declaração de Independência dos Estados Unidos é elaborada em papel feito de fibras de cânhamo.

O estado do Kentucky começa a cultivar o cânhamo.

1787

O rei de Madagascar, Andrianampoinimerina (ca.1787-1810), assume o trono e logo depois bane a cannabis em todo o Reino de Imerina, implementando a pena de morte como penalidade pelo seu uso.

1791

George Washington (1732-1799), primeiro presidente dos Estados Unidos, de 1789 até 1797, queria promover o plantio de cannabis para incentivar a indústria doméstica. “Aproveite ao máximo a semente de cânhamo indiana…” (Libraria do Congresso US).

1794

A maconha medicinal também aparece no “The Edinburgh New Dispensary”.

Thomas Jefferson (1743-1826), o terceiro presidente dos Estados Unidos, de 1801 à 1809, chama o cânhamo de necessidade e encoraja os fazendeiros a plantá-lo no lugar do tabaco. (Libraria do Congresso US, 1794, vol.33, page 270).

1798 – 1801

Napoleão Bonaparte (1769-1821), na Campanha do Egito, descobre que grande parte da classe baixa egípcia costuma usar haxixe. Os soldados que retornavam à França traziam essa tradição com eles. Ele declara uma proibição total ao haxixe e bebidas baseadas no cannabis. (Andrew C. Kimmens, Tales of Hashish, Morrow, 1997).

1800

O surgimento da máquina de recoltar e descascar algodão permite mecanizar a colheita e, assim, tornar o algodão mais competitivo do que o cânhamo colhido manualmente. Os lobistas do algodão iniciam uma ampla campanha salientado os malefícios da cannabis!

1830

O Conselho Municipal do Rio de Janeiro proibe trazer cannabis para a cidade e pune qualquer escrava que a usasse.

1835

O Club des Hashischins, o Hashish Club, foi um grupo parisiense que explorava o uso de drogas, principalmente haxixe, para obter ideias criativas. Foi ativo entre 1844 e 1849. Algumas das pessoas literárias e intelectuais mais importantes de Paris eram membros: Dr. Jacques-Joseph Moreau, Théophile Gautier, Charles Baudelaire, Victor Hugo, Honoré de Balzac, Gérard de Nerval, Eugène Delacroix e Alexandre Dumas, pai.

1839

A revista de homeopatia American Provers’ Union publica o primeiro relatório sobre os efeitos medicinais da cannabis.

1840

A ilha Maurícia (Mauritius), anteriormente uma colônia holandesa (1638-1710) e uma colônia francesa, renomeada como Ilha de França (1715-1810), as Maurícias, se tornaram uma posse colonial britânica em 1810 e permaneceram assim até 1968, ano em que alcançaram a independência. Na colonização britânica, a cannabis foi banida.

“A proibição … vai além dos limites da razão, na tentativa de controlar o apetite dos homens através da legislação e torna um crime coisas que nem sequer são crimes… Uma lei de proibição ataca os próprios princípios sobre os quais nosso governo foi fundado”. Abraham Lincoln (dezembro de 1840).

1843

William Brooke O’Shaughnessy (1809-1869), era um médico irlandês famoso por seu amplo trabalho científico em farmacologia, química e invenções relacionadas à telegrafia e seu uso na Índia. Sua pesquisa médica levou ao desenvolvimento da terapia intravenosa e introduziu o uso terapêutico da Cannabis sativa na medicina ocidental. Escreveu, em 1843, “On the Preparations of the Indian Hemp, or Gunjah – Cannabis Indica: Their Effects on the Animal System in Health, and their Utility in the Treatment of Tetanus and other Convulsive Diseases”.

1845

O psiquiatra francês e membro do Club des Hashischins, Jacques-Joseph Moreau (1804-1884), apelidado de “Moreau de Tours”, foi o primeiro médico a fazer um trabalho sistemático sobre os efeitos das drogas no sistema nervoso central e a catalogar, analisar e registrar suas observações. Ele comenta dos benefícios físicos e mentais da cannabis!

1850

Introdução de fibras tropicais. Início da era petroquímica. O surgimento de processos tóxicos utilizando sulfitos (para extrair lignina) e cloro (para branquear a polpa) permite produzir papel à base de árvores ao invés de cânhamo, linho e algodão. O vapor substitui a vela…

US Census Office recensea 8.327 plantações de cannabis de mais de 8 km2 cada uma.

1850 – 1915

A marijuana é amplamente utilizada nos Estados Unidos como medicamento. Disponível para compra em farmácias e armazéns gerais em cidades menores.

De 1850 até 1940, os extratos e tinturas de cannabis estavam disponíveis nos Estados Unidos como medicamentos patenteados, fabricados por empresas de renome, tais como Eli Lily, Tilden’s, Smith Brothers, Squibb e Parke-Davis, por seus efeitos antiespasmódicos, sedativos, hipnóticos e analgésicos. Os extratos de cannabis estavam entre os medicamentos mais prescritos nos Estados Unidos, até a Bayer comercializar a aspirina, em 1899. Foi o químico alemão Heinrich Dreser (1860-1924) quem deu o nome de Aspirin® ao ácido acetilsalisílico. O A vem de acetil; a segunda sílaba, spir, faz uma alusão a Spiraea ulmaria, nome científico da planta de onde pode se obter o ácido salicílico, e por fim, o sufixo in, comumente utilizado na época. Dreser foi responsável pelos projetos da Bayer com a aspirina e a heroína; foi também uma figura chave na criação de uma droga muito usada por todo o mundo, a codeína.

1854

O quaker americano, também poeta e advogado, John Greenleaf Whittier (1807-1892), escreve o primeiro trabalho americano a mencionar a cannabis como um intoxicante com efeitos psicoativos.

1856

Na Índia, os britânicos instituem uma taxa sobre a comercialização da ganja e charas.

1857

O autor, jornalista e explorador Fitz Hugh Ludlow (1836-1870), publica sua autobiografia “The Hasheesh Eater”.

1860

Primeiro estudo sobre cannabis e haxixe realizado por uma comissão governamental, na Ohio State Medical Society. Cataloga as condições pelas quais a cannabis é benéfica: neuralgia, reumatismo nervoso, mania, tosse convulsa, asma, bronquite crônica, espasmos musculares, epilepsia, convulsões infantis, paralisia, hemorragia uterina, dismenorreia, histeria, abstinência alcoólica e perda de apetite.

1861

A Guiana Inglesa ou Guiana Britânica, aprova uma lei intitulada “Portaria para regular a venda de Ópio e Bhang”.

1867

O governo colonial britânico do Sri Lanka introduz a Portaria do Ópio e Bhang, restringindo a venda de cannabis apenas a revendedores licenciados.

1869

Em 19 de novembro, o Dr. Horatio C. Wood, Jr. (1841-1920), professor de botânica na University of Pennsylvania, profere uma palestra frente a American Philosophical Society, sobre sua própria experiência na ingestão de extrato de cannabis. Esse trabalho, intitulado “Research upon American Hemp”, foi agraciado com o prêmio especial da American Philosophical Society.

1870

A Colônia de Natal (hoje, a província de KwaZulu-Natal da África do Sul) aprova a Coolie Law Consolidation,  proibindo “O fumo, uso ou posse e a venda, troca ou presente a qualquer Coolies (é um termo usado historicamente para designar trabalhadores braçais oriundos da Ásia, especialmente da China e da Índia, durante o século XIX e início do século XX.) de qualquer parte da planta de cânhamo (Cannabis sativa)…”

Cingapura proíbe a cannabis.

A cannabis é listada na Farmacopéia dos Estados Unidos como medicamento.

1870 – 1880

Primeiros relatos sobre o fumo de haxixe na Grécia continental. O seu cultivo local começa em cerca de 1875.

1877

Em Constantinopla (atual Istambul), o governo otomano determina que todo o haxixe no Egito seja destruído e, em 1879, a importação de cannabis é proibida pelo Quedivato do Egito (o Quedivato do Egito foi um Estado tributário autônomo do Império Otomano).

34° sultão da Turquia, Abdul Hamid II (1842-1918), torna a maconha illegal, mas com pouco efeito.

1890

Sir John Russel Reynolds (1828-1896), neurologista e médico, prescreve tintura (alcoolatura) de cannabis para a rainha Victoria para cólicas menstruais.

O sultão Hassan I (1836-1894) do Marrocos, membro da Dinastia Alauita, institui regulamentos estritos sobre o cultivo e comércio de cannabis, mas também confere privilégios claros de produção de cannabis a várias tribos do Rife (um região tradicionalmente isolada e desfavorecida, habitada, sobretudo, por populações berberes, embora também haja populações minoritárias de origem árabe).

Departamento do Interior da Grécia proíbe a importação, o cultivo e o uso de haxixe.

O haxixe se torna ilegal em toda a Turquia.

1894

Na Índia Britânica, a Indian Hemp Drugs Commission publica suas conclusões sobre o uso da cannabis: “O uso moderado praticamente não produz efeitos negativos. Em todos os casos, exceto nos casos mais excepcionais, as lesões decorrentes do uso moderado habitual não são apreciáveis”.

Em 1893 e 1894, 70.000 a 80.000 kg de haxixe são legalmente importados para a Índia, vindos da Ásia Central, a cada ano.

1895

Primeira utilização da palavra marijuana pelos partisões de Pancho Villa (1878-1923) no Estado mexicano de Sonora.

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